quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sem Quilombo nem senzala.














Quilombo dos Palmares

A partir do início do século XVII, os escravos que conseguiam fugir das fazendas e dos engenhos começaram a reunir-se em lugares seguros e ali ficavam vivendo em liberdade, longe de seus senhores. Estes lugares ficaram conhecidos por “quilombos” e seus habitantes, “quilombolas”.
Houve muitos quilombos no Brasil. O mais importante foi o “Quilombo de Palmares”, instalado na Serra da Barriga, onde hoje é o estado de Alagoas. Durou mais de sessenta anos e chegou a contar com uma população de vinte mil habitantes. Quando houve a Invasão da Holanda, os diversos quilombos que o compunham foram reforçados, pois inúmeros escravos deixavam os lugares onde viviam e iam refugiar-se nos quilombos, aproveitando a ausência dos seus senhores, que também fugiam dos invasores.
Enquanto os brasileiros e portugueses lutavam contra os holandeses, os fugitivos trataram de fortalecer os seus quilombos.
No princípio, para poder viver, os quilombolas praticavam assaltos às fazendas e povoados mais próximos. Pouco a pouco, foram-se organizando, cultivando a terra e trocando parte das colheitas por outras coisas de que precisavam. Logo, porém, que os holandeses deixaram de ser preocupação, os Senhores de casa grande começaram a combater os quilombolas.
Apesar dos inúmeros ataques que realizaram, os Senhores de casa grande não conseguiram arrasar os quilombos, como era sua intenção.
Por fim, o governo de Pernambuco solicitou a ajuda do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, que preparou uma expedição para derrotar os fugitivos.
Também ele falhou nas primeiras tentativas, mas não desistiu. Organizou um exército realmente poderoso e voltou ao ataque. Mesmo assim, a resistência dos quilombolas foi tão grande, tão valente, que a luta durou perto de três anos.
Os negros tinham uma desvantagem: estavam cercados. Enquanto os atacantes podiam conseguir reforços e munições de fora, principalmente contando com o interesse do governo, os quilombolas encontravam-se sozinhos e apenas podiam contar com o que possuíam. É claro que, um dia, a munição dos sitiados tinha de se esgotar. Quando isto se deu, muitos negros fugiram para o sertão. Outros se suicidaram ou renderam-se aos atacantes.

A Morte de Zumbi

Segundo nos conta a tradição, logo no início da formação do quilombo, foi escolhido um rei: chamava-se Gangazuma. Que organizara e mantinha sob seu comando um verdadeiro exército. Um dia, morreu Gangazuma. Os quilombolas precisavam de um novo rei. Zumbi foi eleito o senhor da força militar e da lei tradicional. Não havia ricos, nem pobres, nem furtos nem injustiças. Depois o governo nasceu e com ele a ordem; a produção regular simplificou comunicações pacíficas, em vendas e compras nos lugarejos vizinhos; constituiu-se a família e nasceram os cidadãos palmarinos. Este foi o primeiro governo livre em todas as terras americanas. Vinte vezes, durante a existência, foram atacados, com sorte diversa, mas os Palmares resistiam, espalhando-se, divulgando-se, atraindo a esperança de todos os escravos chibateados nos eitos de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.
A república palmarina desorganizava o ritmo do trabalho escravo em toda a região. Dia a dia fugiam novos cativos, futuros soldados do Zumbi. Zumbi levou suas forças ao combate, repelindo e vencendo. Mas o inimigo recompunha-se, recebendo víveres e munições, quando os negros, sitiados, se alimentavam de furor e de vingança.
Numa manhã, todo exército atacou ao mesmo tempo, por todos os lados molhando o chão com o sangue desesperado dos negros guerreiros.
Os paulistas de Domingos Jorge Velho; Bernardo Vieira de Melo com as tropas de Olinda; Sebastião Dias com os homens de reforço – foram avançando e pagando caro cada polegada que conquistavam.
Quando a derrota era iminente o Zumbi correu até o ponto mais alto da serra, de onde o panorama do reino saqueado era completo. De cima da serra, o Zumbi saltou para o abismo.
Seus generais o acompanharam, numa fidelidade ao Rei.

Trocando de canal na segunda feira acabei me deparando com uma legenda no programa do Datena, que de inicio me pareceu bastante sensacionalista, mas que posteriormente me informando sobre o ocorrido percebi a gravidade dos acontecimentos, essa legenda dizia: “é guerra!!! Moradores entram em conflito contra policia.”

Matéria que cobria a ação policial de desapropriação de uma área privada onde havia uma favela de 14000 metros quadrados no bairro do Capão Redondo. Fora a legenda outro fato que me chamou muita atenção foi que a maioria das pessoas que deram seu depoimento foi mulheres, de aparência idosa ou grávida. Nas imagens que registraram a ação policial no momento do conflito pode-se ver claramente essas mesmas mulheres e crianças correndo de bombas de gás lacrimogêneo e tiros de borracha. Ficaram sem casa 800 famílias, sem ter lugar para deixar seus móveis que ficaram jogados na calçada debaixo de chuva, na lama, alguns moradores inconformados por terem seus direitos, garantidos na Constituição á moradia digna, negados se revoltaram contra a policia jogando pedras e coquetéis Molotov, numa tentativa frustrada e desesperada de resistência que resultou em diversos focos de incêndio e varias pessoas inocentes intoxicadas. Em entrevista cedida ao jornal da Rede Globo, SPTV, o Tenente Carlos de Carvalho Junior afirmou que somente o policial atropelado por um motociclista se feriu e que mais ninguém ficou ferido, esses são os dados oficiais segundo a policia. Senhor Tenente, por favor não menospreze a inteligência das população, como uma ação de desapropriação de uma área dessa dimensão, que movimentou 240 policiais em uma missão para por na rua aproximadamente 2000 pessoas acabou apenas com apenas um ferido. Imagens mostram claramente bombas explodindo no meio das pessoas e disparos de tiro de borracha, efetuadas com espingardas calibre doze bem ao estilo exterminador do futuro, contra a multidão que corria desesperada levando o que podia carregar. O curioso é que até agora não se sabe o nome do juiz que permitiu essa barbárie e respondendo a questões feitas pelos apresentadores do SPTV a superintendente de Habitação da Prefeitura da Cidade de São Paulo confirmou que não foi feito nenhum contato com os moradores dessa área informando a disponibilidade de albergues, contato esse efetuado somente depois da ação policial. Esse tipo noticia nos pensar que tipo de sociedade, dita Estado de Direito, deixa 800 famílias sem teto, aumentando para 380000 o déficit de moradia da cidade de São Paulo. Que juiz permite que 2000 pessoas fiquem sem casa colocando o interesse privado acima do bem estar social. Ainda posso me lembrar de ação policial muito semelhante a essa, efetuada aqui no meu Bairro(Cid Tiradentes no extremo leste da capital), que desalojou centenas de pessoas com a desculpa que a área onde essas pessoas estavam era de risco, mas quando a prefeitura viu que ninguém iria sair, já que não tinham para onde ir, decidiu mandar a tropa de choque para por fim ao impasse, o que acabou com mais um conflito contra a população, muito pânico, fogo em ônibus e corre corre. Durante a “evolução” da história do Brasil ao redor das casas grandes, dos proprietários das capitanias hereditárias, foram crescendo as cidades e onde estavam localizados os quilombos foram crescendo as favelas. É começarmos a aprender com nosso passado ou então estaremos fadados a acabar como palmares e Zumbi.

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